Por que fazer experimentos na minha empresa?



Crie um e-book sobre um assunto qualquer e disponibilize para seu público alvo fazer download do e-book numa land page. As pessoas precisam preencher algumas informações, como e-mail, em um formulário e selecionar o botão de enviar para o e-book ser enviado para o e-mail da pessoa. Depois de verificadas as informações o visitante é direcionado para uma página de confirmação de envio do e-book ou página de agradecimento. Daí parte-se para analisar as conversões para download do e-book, com pseudo-metas criadas na plataforma do Google Analytics.

Acabei de narrar como milhares de empresas estão fazendo por aí  como estratégia de captação de contatos. A grande realidade é que 90% das pessoas que visitam seu site vão embora sem dar o contato delas. As pessoas estão cansadas de receber SPAMs e enxurradas de e-mails com  propagandas ou texto de marketing para fazê-las comprar algo de que elas não precisam. Quando Aaron Ross lançou em 2011 o seu livro Receita Previsível não estava propondo um caminho mágico ou uma receita de bolo que pudesse ser seguida "by the book" como muitos pensam. 

Contabilizar quantas pessoas chegaram na página de confirmação de envio do e-book para o e-mail passa a ser a saga. Além disso, você pode adicionar o funil de acesso, para garantir que a pessoa tenha vindo da página com o formulário para download. Será mesmo que observando o fluxo de navegação para conclusão de metas ou comparando acessos entre diferentes páginas trará o benefício esperado para o seu negócio? 

É preciso identificar o problema raiz, ou seja, entender a real necessidade e dor vivenciada e a diferença entre suposições e hipóteses. Aliás, como definir hipóteses de negócio, validá-las e como interpretar os resultados?

Devemos entrar em contato por telefone apenas com os prospects que já demonstraram algum interesse no que temos a oferecer?  Como avaliar as características de um contato para entender se ele é ou não um cliente em potencial. A análise do segmento em alguns contextos é essencial para um negócio e encontrar os dados e observar com cuidado é muito importante mas corremos o risco de ficar nichados.  Devemos fazer uma pesquisa para entender melhor sobre nosso potencial cliente antes de realizar o primeiro contato?

Imagine a situação em que seu chefe informa a necessidade de criar um aplicativo para a empresa e a justificativa é "já que toda empresa tem app, nós também teremos". Você pode já ter passado por uma situação parecida, talvez, não com um aplicativo... Mas às vezes, podem ter solicitado a criação de um funcionalidade ou produto que não tinha uma demanda real. Mas será que existe a demanda para este produto ou aplicativo? Será que o mercado está disposto a pagar por esse produto da forma que estamos cobrando e por esse preço?

Vamos ouvir a opinião do nosso usuário para respondermos a questão. Poderíamos perguntar pessoalmente, mas seria trabalhoso, mas com quem eu devo validar?  Por meio do conceito de proto-personas devemos já ter uma ideia do perfil do usuário antes de ir para fase de testes. Mas quem vai definir as características desse persona seremos nós os iluminados trancafiados em nossa redoma de vidro? Claro que não, neh? Faremos oficinas de Design Thinking com um monte de pessoas elucubrando coisas sem a participação do usuário nas oficinas admita!

Se enviarmos um protótipo para um cliente, ele pode nos dizer que gostou do resultado, mas só a opinião dele resolve? É importante validarmos com outros usuários e até com um mercado gigantesco também. 

É necessário validar a ideia justamente com quem usará o produto/serviço. Saia da empresa, passe uma, duas semanas respirando o ar do cliente, sentindo na pele suas dificuldades.

Se não sabemos quais problemas vivenciados no dia a dia pelo mercado e não por um determinado usuário, como saberemos se existe ou não a necessidade de construir um app ou uma determinada funcionalidade? 

Quando criamos uma hipótese não podemos ter dúvidas do que estamos pesquisando e o que queremos resolver com ela. Por conta disso, existe uma estrutura mais adequada quando vamos criar uma hipótese.

As hipóteses devem ser precisas e objetivas, apresentando informações para criar uma comparação precisa, exemplo: A taxa de rejeição aumenta quando o site é acessado por dispositivos móveis, com resolução menor que 1024 pixels de largura.

Como recrutar pessoas aleatórias, sem um corte inicial, para realizar esse teste? A pessoa pode vir de má vontade ou ainda poderão vir pessoas que não são o perfil de usuário que usaria seu produto. O que acaba gerando custos desnecessários. Partindo do princípio que já foi feita pesquisas para identificar potencial do público-alvo desse produto, devemos focar justamente nesse público.

E como faremos para atrair este usuário para a fase de validação do protótipo, sem dependermos apenas da boa vontade da pessoa? É comum oferecermos algum benefício em troca da participação no teste. Poderíamos oferecer uma assinatura da plataforma em troca. Esta é uma boa alternativa em casos onde o orçamento é escasso. Outra opção é captar os interessados divulgando entre as pessoas ou nas mídia sociais.

Se você chegou até aqui e não sabe ainda como descobrir um problema leia este artigo antes de prosseguir

Os céticos dirão basta elaborarmos um roteiro para o teste de usabilidade. Em seguida, nós iremos acompanhar com que facilidade o usuário realizou tais tarefas. Não podemos deixar a pessoa fazer o teste sem nenhuma orientação. Nós damos liberdade... Só especificamos em qual ponto o tester precisa chegar e onde termina a tarefa. Ok solução digital com boa usabilidade, porém, ainda assim não resolve a causa raiz do problema central que a empresa passa no momento e aí?

Roteiro “tutorial” pode ser irrelevante para um teste de usabilidade desta forma você acaba testando o usuário, e não a interface. Pensar em um fluxo de telas que faça sentido para os usuários e encontrar uma forma de não perdermos tempo na fase de desenvolvimento é uma preocupação secundária.

A pessoa não deve ter medo de manusear o protótipo, de danificá-lo ou que os seus dados fiquem desprotegidos. Vale lembrar que às vezes, um protótipo de alta-fidelidade pode dar a impressão de já ser o produto finalizado e o seu usuário pode se esquecer disso. Não indique os caminhos que o usuário pode seguir para chegar até onde você deseja. Mas podemos dar dicas... Perguntar "você já observou a parte superior da página?" é melhor do que indicar diretamente onde está e a barra de busca. Nosso objetivo não é dar um tutorial sobre como realizar a busca.

Coloque-se no lugar de quem está realizando o teste. Ele está em um ambiente estranho, interagindo com pessoas desconhecidas, provavelmente, haverá uma câmera durante o teste. Tente encontrar formas para deixar o tester mais tranquilo. De repente oferecer um café... Mesmo que exista uma contrapartida financeira, é o tester que te ajudará a deixar seu aplicativo melhor. 

É importante também que apenas as pessoas necessárias participem do momento do teste - e geralmente, a equipe de desenvolvimento não precisa estar. Pode ser incomodo para o seu usuário ser observado por várias pessoas no momento do teste e isso pode prejudicar o resultado.

Isto também não significa que o restante da equipe não deve ter acesso a nada. Uma opção é deixar o restante da equipe em um sala a parte, exibindo um streaming do teste. Desta forma os membros do time consegue conversar entre si, sem incomodar o usuário.

Um ponto que vale ser analisado é observar como o usuário está reagindo. Será que disponibilizamos muita informação, ou usuário está tendo dificuldade de responder determinada pergunta? Um fator que auxilia a análise é acompanhar as expressões do usuário enquanto interage com ele. Por isso, um recurso bastante utilizado é gravação do rosto do tester, feita com uma webcam ou outra câmera mais discreta disposta próxima do dispositivo utilizado. 

Obviamente, é interessante captar as microexpressões do usuário e conseguir identificar em que ponto elas ocorreram. Fazer a pergunta: "Por que o usuário fez essa cara de dúvida?

O moderador deve tentar compreender o que está passando na cabeça do usuário, mas sem recorrer à "bola de cristal". O melhor é que o próprio usuário verbalize o que está pensando e assim, não precisamos adivinhar o que ele tem em mente. tenha empatia com o usuário e tente adaptar a abordagem para que ele se sinta mais confortável em compartilhar sua opinião.

E no fim do teste, você pode até perguntar se o usuário gostou do produto, mas a resposta pode não ser tão sincera. Por exemplo, perguntas com respostas de "sim" e "não", podem induzir o resultado. Mais interessante é perguntar o que ele achou do protótipo, tentando extrair informações concretas.

Talvez, depois disso tudo, você consiga levantar coisas que não foram pensadas.

Decifra-me ou te devorarei ...

 

Sou facilitador de inovação corporativa, sou um profissional do futuro, voltado para resultados. Líder servidor no Lab de Inovação do Serviço Federal de Processamento de Dados - SERPRO, área responsável pela disseminação da cultura de inovação em produtos centrada no ser humano, onde com um time de intra-empreendedores contribui para sua evolução.

 

Gosto de criar, orientar, prototipar e construir MVPs e produtos corporativos. Eterno aprendiz em facilitação de oficinas de co-criação, Design Thinking e Business Design. Invisto um bom tempo percebendo padrões e comportamentos. Sou um observador, pesquisador e comunicador. Aprendendo e praticando os métodos e as ferramentas desse mundo do empreendedorismo.

Quer que faça? Abra demandas. Quer Transformação Digital? Construa um propósito e faça experimentos ...

Hipóteses, Premissas & Perguntas para mudar o mindset da sua cadeia de valor.  

Tudo começa com uma ideia, mas como transformar essa ideia em um negócio? No início temos muitas dúvidas, incertezas, precisamos de um trabalho para reduzir isso, tornar tudo mais claro para pode chegar a um negócio.

Uma ideia tem chance de se tornar um negócio quando descobrimos os reais problemas do mercado, dores não resolvidas e anseia por um solução. E esta ideia de produto está adequado para encarar fatores externos, por exemplo a concorrência, tem possibilidade de se diferenciar e encarar a concorrência.

Outro fator externos é a questão legal, ele pode operar legalmente, por exemplo, tem autorização para explorar uma base de dados ou se integrar com outras soluções no mercado. O mercado está disposto a pagar? O que ele está disposto a pagar torna o produto sustentável, gera lucro? Podemos construir e sustentar o produto com qualidade? O empreendedorismo no estilo startup misturado com o melhor da teoria geral da administração - TGA tem o potencial de revitalizar o pensamento gerencial de qualquer empresa.

Esse tipo de mudança profunda na estrutura da organização é como fundar de novo a empresa. Evoca a habilidade de reescrever o DNA da organização em resposta aos novos e diversos desafios. É uma mudança de perspectiva e uma nova maneira de pensar a respeito de gestão.

Listo a seguir o que impede/favorece a Transformação Organizacional de acontecer:


  • A burocracia, a pouca experimentação e a resistência a mudanças, talvez, sejam os maiores obstáculo à inovação contínua.


  • Testamos uma nova ideia, criando uma maneira melhor de trabalhar ou atender a novos clientes por meio da criação e oferta de um produto ou serviço em novos mercados sob condições de extrema incerteza.


  • Entendimento de que piloto não se trata de uma mera formalização de demandas.

  • Entendimento de que não se pode haver apego a produtos ou ideias.


  • Esteira do piloto com autonomia para tomada de qualquer rumo ou decisão com “responsabilização” pelas decisões (ex.: não consegue financiamento da próxima fase)

  • Como identificar e empoderar os funcionários mais criativos?


  • Como estabelecer uma regra geral para tornar as reuniões úteis? Como identificar e medir reuniões inúteis? 


  • Identificar funcionários sujeitos a estruturas e incentivos tradicionais? Como tirar as pessoas do estado de conforto? 


  • Como identificar comportamentos burocráticos? Programa para eliminação de burocracias? Quais etapas poderiam ser reduzidas e em quais processos? Repensar práticas? Quais? Repensar estratégias de vendas? auditar processos? 


  • Ser mais dinâmico, ousado.  No final das contas estamos falando de do processo de transformação organizacional.


  • Como criar estruturas de responsabilização que incentivem a inovação contínua? E como estruturar o trabalho de modo que ele seja mais gratificante para as pessoas?



Construindo seu MVP


Etapa 1: Desenvolvimento de pessoas


Como aproveitar a criatividade e o talento de cada um de nossos funcionários? se selecionarmos um funcionário ao acaso, de qualquer escalão, área funcional ou região, e ele tiver uma ideia brilhante, como ele deve proceder? Quantos funcionários atuais conseguem responder esse simples questionamento?


A proposta é criar grupo pré-squad, que faria análise inicial de qualquer ideia sem nenhum filtro prévio (chefia imediata, pares etc). 



Etapa 2: Descoberta de Produto (Domínio do Problema)


O processo começa com gente em campo ouvindo problemas perguntando, questionando e não desenhando uma solução pra depois achar o problema. O foco dessa etapa é a descoberta do produto com uso de técnicas como user research (definição do target customer), técnicas de validação de hipóteses, descoberta de solução e prototipação;


É muito importante antes de ir a campo entender ao ponto de saber explicar o Catálogo de Serviços da sua empresa por linha de negócio, ao iniciar o Product Discovery. Para isso é necessário conhecer sua empresa seus produtos, processos, principais prioridades e a divisão de papéis e responsabilidades.


Encontrar dados para iniciar o discovery e analisá-los antes de iniciar o discovery é fundamental.  


Envolve os seguintes passos:


  1.  Planejar e executar pesquisa de discovery.

  2.  Recrutamento de usuários e relação com LGPD e proteção contra ações judiciais por uso de informações e/ou patentes. (público alvo)

  3. Análise e síntese de dados de pesquisa.




Etapa 3 : Ciclo construir-medir-aprender (Product Market Fit)


Testar com rapidez novos produtos e novos modelos de negócio. 

Descobrir um mercado totalmente desconhecido.Empresa experimental.

Método para encontrar novos avanços repetidas vezes. A empresa precisa permitir que suas equipes atuem como startups internas e experimentem até encontrar o produto must have. Necessário estar sempre aberto à pesquisa e à descoberta. O segredo é experimentação rápida num cronograma curto. 




Etapa 4: Crescimento


É crucial pensar em como gerenciar o crescimento antes que ele aconteça, e não quando já aconteceu e está gerando uma crise.

Adicionar novos recursos ao produto existente.

Firmar parcerias.

Trata-se de fazer apostas que podem ou não compensar em vez de simplesmente refinar um sucesso presente.

Para continuar crescendo, é necessário propor algo inteiramente diferente e para isso é preciso conseguir tempo e espaço para fazer testes.

Deve-se permitir tanto a manutenção de seu produto principal quanto os experimentos com novas ideias.




Etapa 5: Revisão de processos


Processos novos e não convencionais. Processos que permitem que essa nova cultura prospere e cresça.